Ross 128 b pode ser a melhor possibilidade conhecida hoje de haver vida fora do Sistema Solar (Foto: ESO / M. Kornmesser)Ross 128 b pode ser a melhor possibilidade conhecida hoje de haver vida fora do Sistema Solar (Foto: ESO / M. Kornmesser)

Ross 128 b pode ser a melhor possibilidade conhecida hoje de haver vida fora do Sistema Solar (Foto: ESO / M. Kornmesser)

Astrônomos encontraram um planeta frio e do tamanho da Terra, relativamente perto do sistema solar.

As características do planeta recém-descoberto – apelidado de Ross 128 b – fazem dele um dos principais alvos na busca por vida no cosmos.

A 11 anos-luz de distância, Ross 128 b é o segundo planeta externo ao Sistema Solar mais próximo da Terra. Mas o que está mais perto, conhecido como Proxima b, parece ser menos habitável.

Descoberto em 2016, ele orbita a estrela Proxima Centauri, conhecida por ser uma estrela anã vermelha, bastante ativa. Isso significa que erupções poderosas periodicamente atingem Proxima b com radiações nocivas.

O co-descobridor de Ross 128 b, Nicola Astudillo-Defru, do Observatório de Genebra, na Suíça, disse à BBC News: “Porque Proxima Centauri atinge seu planeta com fortes erupções e radiações de alta energia, eu acredito que Ross 128 é bem mais propício para o desenvolvimento de vida”.

Descoberta foi feita no Observatório La Silla, no Chile (Foto: ESO/F. KAMPHUES)Descoberta foi feita no Observatório La Silla, no Chile (Foto: ESO/F. KAMPHUES)

Descoberta foi feita no Observatório La Silla, no Chile (Foto: ESO/F. KAMPHUES)

“Mas ainda precisamos saber como é a atmosfera do Ross 128. Dependendo da composição e da refletividade de suas nuvens, esse planeta pode ser habitável, com água líquida, como a Terra, ou estéril, como Vênus.”

Coordenador do estudo que descreve a descoberta, Xavier Bonfils, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, na França, disse à BBC News que o Ross 128, embora esteja “um pouco longe da Terra”, é um “ótimo alvo alternativo” (para a procura por vida extraterrestre).

O planeta foi descoberto com o uso do Buscador de Planeta de Alta Precisão Radial (Harps), instrumento que fica no Observatório La Silla, no Chile. O trabalho será publicado no jornal Astronomia e Astrofísica.

Astudillo-Defru disse que o achado é resultado de mais de uma década de “monitoramento intensivo” usando o instrumento Harps.

Com 1,35 vezes a massa do nosso planeta, Ross 128 é um pouco mais pesado que a Terra e orbita 20 vezes mais perto da sua estrela que a distância entre a Terra e o Sol. Mas como a estrela do planeta recém-descoberto é bem menor que o sol, ele recebe só um pouco mais de radiação que a Terra.

Planeta está em zona habitável, mas pode estar exposto a radiações nocivas, que impediriam existência de vida (Foto: ESO/M.KORNMESSER)Planeta está em zona habitável, mas pode estar exposto a radiações nocivas, que impediriam existência de vida (Foto: ESO/M.KORNMESSER)

Planeta está em zona habitável, mas pode estar exposto a radiações nocivas, que impediriam existência de vida (Foto: ESO/M.KORNMESSER)

Assim, é esperado que tenha temperatura de superfície parecida com a da Terra.

Na busca por mundos habitados fora do nosso Sistema Solar, astrônomos normalmente procuram por planetas com pouca massa, rochosos e com temperaturas similares às da Terra.

Mas esses indicadores são difíceis de detectar. A maioria dos 3,5 mil exoplanetas – externos ao sistema solar – estão na categoria dos chamados “Júpiteres Quentes”- gigantes de gás orbitando muito perto de suas estrelas e que não possuem condições adequadas para a existência de vida.

Do contingente menor de planetas com tamanho parecido ao da Terra, a maioria orbita estrelas anãs vermelhas – o tipo mais comum de estrela da Via Láctea. Porque esta categoria de estrela tem luz mais fraca, é mais fácil para os astrônomos detectarem planetas de pouca massa quando eles passam em frente (observados da Terra) e bloqueiam parte da luz.

Anãs vermelhas são geralmente mais ativas que as estrelas tipo-G, como o Sol, mas pode haver variação. A apenas 4,2 anos luz de distância, Proxima b pode ser o planeta mas próximo do sistema solar com temperatura amena. Mas recebe 30 vezes mais radiação ultravioleta que a Terra.

Ross 128 b, por outro lado, é o planeta mais próximo com menos radiação e clima temperado.

Astrônomos frequentemente falam sobre “zona habitável” ao redor de uma estrela – o raio de distância em que as temperaturas permitem que a água (essencial para a vida que conhecemos) permaneça líquida na superfície do planeta.

A localização da zona habitável depende da própria estrela: anãs vermelhas são estrelas com luz mais fraca, portanto mais frias que o sol, então sua zona habitável é mais próxima que a do sistema solar.

Ainda há incerteza sobre se o Ross 128 está na zona habitável, mas cientistas dizem que, com temperaturas entre -60°C e 20°C, ele pode ser considerado temperado.

Instrumento chamado 'Harps' ajudou a detectar o Ross 128 b, em observatório no Chile (Foto: ESO/A. GHIZZI PANIZZA)Instrumento chamado 'Harps' ajudou a detectar o Ross 128 b, em observatório no Chile (Foto: ESO/A. GHIZZI PANIZZA)

Instrumento chamado ‘Harps’ ajudou a detectar o Ross 128 b, em observatório no Chile (Foto: ESO/A. GHIZZI PANIZZA)

Mas, como ressalta Astudillo-Defru, muita coisa depende da presença de atmosfera. Gases do efeito estufa podem aquecer a superfície e garantir pressão suficiente para manter a água em estado líquido.

Astrônomos querem estudar a composição atmosférica e química de planetas próximos e potencialmente adequados para a existência de vida, como o Ross 128 b. A detecção de gases como oxigênio pode potencialmente apontar para a presença de processes biológicos.

Mas Nicola Astudillo-Defru disse: “Os melhores indicadores biológicos ainda estão em debate. Por enquanto, temos o oxigênio (O2) e o ozônio como indicadores biológicos”.

“Outros, como o dióxido de carbono ou o metano podem ser gerados tanto por eventos geológicos quanto por vida. Alguns gases já foram detectados em atmosferas de exoplanetas, mas essa investigação deve ganhar fôlego quando o Extremely Large Telescope (Telescópio Extremamente Grande, em tradução livre), do Observatório do Sul da Europa, e o Telescópio James Webb Space, da Nasa, entrarem em operação.”

O 'Extremely Large Telescope', telescópio que entrará em operação na próxima década, poderá testar a existência de atmosfera no Ross 128 b (Foto: ESO)O 'Extremely Large Telescope', telescópio que entrará em operação na próxima década, poderá testar a existência de atmosfera no Ross 128 b (Foto: ESO)

O ‘Extremely Large Telescope’, telescópio que entrará em operação na próxima década, poderá testar a existência de atmosfera no Ross 128 b (Foto: ESO)

Bonfils explica que o Extremely Large Telescope, que estará operacional na metade da próxima década, deverá garantir resolução angular para observar o Ross 128 b diretamente. “Conseguiremos ver se existe atmosfera e, eventualmente, procurar por O2, água e CH4 (metano)”, disse Bonfils.

“Cada um (desses gases) seria um passo importante rumo à evidência de vida fora do sistema solar. Mas, individualmente, nenhum deles é definitivamente uma prova de vida. Há formas de produzir O2 e CH4 não biologicamente. Mas, por enquanto, não conhecemos nenhum falso positivo se os três (oxigênio, água e metano) forem detectados juntos”.

Embora esteja hoje a 11 anos luz da Terra, o planeta Ross 128 está se locomovendo em direção à Terra e deve ultrapassar Proxima Centauri como o planeta mais próximo da Terra daqui a 79 mil anos – um piscar de olhos nos parâmetros cósmicos.

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Luciana Bento

Ansel Elgort e Kevin Spacey em cena de 'Em ritmo de fuga' (Foto: Divulgação)Ansel Elgort e Kevin Spacey em cena de 'Em ritmo de fuga' (Foto: Divulgação)

Ansel Elgort e Kevin Spacey em cena de ‘Em ritmo de fuga’ (Foto: Divulgação)

Enquanto uma sequência impressionante de 15 acusações de assédio e abuso sexual se desenrolava ao longo de uma semana em jornais, revistas e redes sociais, o ator americano Kevin Spacey divulgou comunicado à imprensa afirmando que se isolaria e buscaria “avaliação e tratamento”.

A frase foi repetida pelo produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que, poucos dias antes, foi o pivô de pelo menos 80 denúncias, envolvendo algumas das mulheres mais famosas do planeta.

Em meio ao choque causado por essas revelações, que incluem abusos contra menores de idade, muita gente também foi pega de surpresa pela resposta dos acusados. Afinal, existe tratamento para quem abusa sexualmente de adultos ou crianças? Como funciona? Qual é sua eficácia?

Para o autor do livro Group Therapy with Sexual Abusers (Terapia em grupo com abusadores sexuais, em tradução livre), recém-lançado nos Estados Unidos, o espanto com o tratamento diz bastante sobre o problema.

“Há um mito de que não se pode prevenir (o abuso). E isso perpetua o mito de que não se pode tratá-lo”, diz à BBC Brasil o terapeuta Steven Sawyer, que há 30 anos atende pessoas que praticaram abusos sexuais e encara o problema como questão de saúde mental.

“De forma compreensível, nossa cultura demoniza crimes sexuais. Então, quem tem estes desejos, mas ainda não teve coragem de cometê-los, normalmente tem medo de dar um passo à frente e buscar ajuda. Assim, em silêncio, o abuso acaba se concretizando”, afirma.

Criado em 2006, o Escritório de Sentenças, Monitoramento, Apreensão, Registro e Rastreamento de Infratores Sexuais do governo dos EUA aponta quatro perfis para crimes desta natureza: abusadores sexuais de crianças, estupradores, mulheres que cometem abusos e infratores sexuais na internet.

O tratamento para quem foi condenado por crimes de assédio ou estupro não substitui penas, mas pode ser indicado por um juiz para complementar períodos de encarceramento (que podem chegar a 20 anos, variando de acordo com o Estado).

Segundo o órgão, os homens são responsáveis pela imensa maioria dos casos (mulheres são condenadas por apenas 5% destes crimes) e as terapias mais bem aceitas, de acordo com uma retrospectiva de 48 publicações científicas publicadas nos EUA desde os anos 1960, são as realizadas em grupo.

“Não é incomum que os atendidos criem uma hierarquia entre as ofensas sexuais”, conta o terapeuta Sawyer sobre as dinâmicas em grupo.

“Alguns homens que dizem que nunca abusariam de uma criança acham que seus ataques contra mulheres adultas são menos piores que os dos pedófilos. Há pedófilos que, por sua vez, se acham menos piores que aqueles que abusam de crianças mais novas. E essa hierarquia é extremamente destrutiva.”

Contra este padrão, Sawyer costuma montar grupos heterogêneos, com idades e histórias de abusos distintas: desde homens que consomem pornografia infantil na internet aos que efetivamente abusaram de mulheres adultas ou crianças.

“A diversidade e a convivência com diferentes perfis os ajuda a entender sobre si a partir das histórias dos outros. Elas fazem com que eles identifiquem semelhanças entre seus comportamentos e os daqueles que julgam piores. Eles entendem de forma ampla o que fizeram”, afirma.

O tratamento varia sempre – e o terapeuta ressalta que não é possível prever quais serão as dinâmicas aplicadas a Spacey ou Weinstein, porque não se conhece detalhes sobre seus casos.

Só nos Estados Unidos, há pelo menos 2 mil terapeutas dedicados a distúrbios sexuais.

Anthony Rapp e Kevin Spacey  (Foto: Chris Pizzello e Evan Agostini/Invision/AP )Anthony Rapp e Kevin Spacey  (Foto: Chris Pizzello e Evan Agostini/Invision/AP )

Anthony Rapp e Kevin Spacey (Foto: Chris Pizzello e Evan Agostini/Invision/AP )

As sessões, geralmente, duram entre uma e duas horas. Podem ocorrer uma vez por semana ou todos os dias – quando os envolvidos estão internados em clínicas – e têm duração entre 10 semanas e dez anos, podendo ou não incluir medicação.

Como em terapias de grupo mais conhecidas, como os Alcóolicos ou Narcóticos Anônimos, parte do tratamento consiste em identificar “gatilhos” ou origens para o comportamento dos abusadores.

Entre os “mitos” relacionados a estes gatilhos, segundo o especialista, está a crença de que pessoas que foram abusadas sexualmente na infância tenderiam a abusar de alguém no futuro.

“Isso acontece para alguns, mas não é comum. Traumas infantis são comuns entre as origens do problema. Um estudo recente identificou que crianças que nasceram em locais violentos tem mais chance de terem distúrbios de saúde mental, o que pode ser parte da origem do problema”, afirma.

Ele continua: “Mas os gatilhos variam. Há pacientes que foram expostos cedo à pornografia, e ela ficou tão banal que eles acabam migrando para a pornografia infantil. Para outros, o comportamento abusivo é ativado por alguma dependência química. Não dá para traçar um padrão e qualquer generalização é extremamente perigosa”, afirma Sawyer.

No Havaí, que abriga um dos programas públicos de atendimento a abusadores mais bem-sucedidos do país, as atividades incluem expor abusadores às gravações de ligações feitas por vítimas à polícia denunciando estupros.

O contato com a narrativa e o desespero das vítimas é uma forma de estimular o arrependimento ou a empatia entre os condenados.

Outros grupos em grandes metrópoles usam técnicas como a do “psicodrama” – em que os presentes assumem os papéis de membros da família ou das vítimas de um dos presentes e uma série de episódios importantes da vida do paciente são reconstruídos coletivamente.

“Interpretar” uma vítima ou “reviver” um abuso estimularia os envolvidos a identificar padrões ou eventos que os levariam aos crimes.

Sawyer conta a história de um homem na casa dos 30 anos, que abusou de uma vizinha de 15, com quem convivia desde pequena.

“Ele foi condenado, preso e depois enviado ao tratamento”, conta o terapeuta.

A partir de dinâmicas que reconstruíram momentos importantes de sua infância em família e os principais eventos que o teriam levado a consumar os ataques, o homem contou que o pai havia abandonado a família muito cedo e que a mãe tinha um trabalho intenso, precário e instável.

“Percebeu-se que se aproximou dos vizinhos mais novos porque não tinha confiança em adultos. Seus pais não tiveram condições de ajudá-lo a crescer com autoestima e ele só sentia ‘seguro’ com colegas bem mais jovens. Ele se aproximou da vizinha para conversar, brincar, e isso evoluiu para um terrível abuso sexual.”

O processo terapêutico se desenrolou por dois anos. “Ele não tinha consciência de nada disso. Com o tempo, aprendeu a ser mais determinado e seguro e entendeu o que o estimulava a se aproximar de menores…e não voltou a cometer crimes.”

Eficácia e reincidência

Segundo estatísticas divulgadas pelo governo americano, as taxas de reincidência de crimes sexuais caem em média 40% após terapias contra abusos de adultos ou menores.

No Havaí, por exemplo, de 800 homens atendidos, 20 voltaram a cometer crimes sexuais.

Mas o departamento de Justiça americano alerta, no entanto, para o problema da subnotificação dos casos.

“Os registros oficiais subestimam a reincidência. Estudos de vítimas de agressão sexual e delinquentes em tratamento demonstram que as reais taxas de ofensas não são refletidas pelos registros oficiais”, diz o órgão.

Ainda de acordo com o governo, as taxas de reincidência de criminosos sexuais são mais baixas que as de autores de outros tipos de violações – mas, assim como os demais, se tornam mais altas com o passar do tempo.

Em média, as taxas de reincidência sexual entre delinquentes sexuais variam de cerca de 5%, 3 anos após o crime, para cerca de 24%, após 15 anos.

Para o terapeuta Sawyer, o melhor caminho para reduzir a frequência dos crimes e aumentar as notificações e acompanhamento policial e médico de suspeitos está na prevenção dos crimes sexuais.

“Para muitos homens, é uma jornada terrível, torturante, e apenas crucificá-los não resolve o problema”, diz. “É preciso estímulo e coragem para se perceber que há um problema e buscar ajuda. Os homens têm medo. Isso é muito forte na cultura dos Estados Unidos: espera-se que os homens sejam fortes, e expor fragilidades é sinônimo de ser fraco. Quando maior for o conhecimento sobre este tipo de atendimento, mais homens buscarão tratamento.”

Segundo Sawyer, defender o tratamento não é defender a impunidade.

“Os tratamentos são sérios, científicos, e amparados por uma estrutura legal. Os pacientes se comprometem com a Justiça a falar a verdade durante o tratamento e, se mentirem, sofrem consequências”, afirma.

“Eles não amenizam a pena – ao contrário, obrigam estas pessoas a parar de negar o problema e encarar seus demônios, evitando que novos crimes ocorram.”

Informações não confirmadas e divulgadas pela imprensa americana apontam que o protagonista de House of Cards e o produtor de Hollywood teriam se internado juntos em uma clínica de luxo no Arizona, onde um tratamento de 45 dias custaria US$ 58 mil.

Os escândalos de Kevin Spacey surgiram a partir de um depoimento do ator Anthony Rapp, que disse ao site Buzzfeed ter sido abusado pelo ator quando tinha apenas 14 anos.

A denúncia deu origem a depoimentos de outros homens, incluindo funcionários da série House of Cards.

No processo, Spacey foi demitido por sua agência de relações públicas e perdeu seu contrato com a Netflix. Também foi criticado por anunciar oficialmente que é gay como uma suposta tentativa de desviar a atenção dos abusos.

Recentemente, em decisão sem precedentes, a Sony Pictures e o diretor Ridley Scott decidiram apagar todas as cenas de Spacey no filme All the Money in the World (Todo o Dinheiro do Mundo, em tradução livre), previsto para estrear em poucas semanas nos cinemas americanos.

O ator será substituído pelo veterano Christopher Plummer.

Já Weinstein, alvo de 80 denúncias, incluindo nomes como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Cara Delevingne, foi demitido da própria produtora e tornou-se persona non-grata em Hollywood.

Informações sobre eventuais processos judiciais contra os dois ainda não foram divulgadas.

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Luciana Bento

 Mulheres são as principais vítimas do avanço da doença (Foto: M. Spencer Green/AP Photo) Mulheres são as principais vítimas do avanço da doença (Foto: M. Spencer Green/AP Photo)

Mulheres são as principais vítimas do avanço da doença (Foto: M. Spencer Green/AP Photo)

Na última década, o número de pessoas com os diabetes tipo 1 e 2 no Brasil subiu 61,8%, de acordo números do Ministério da Saúde. O público mais afetado são as mulheres – 1 em cada 10 estão diagnosticadas com a doença. Maiores índices de sedentarismo e de obesidade fazem delas as principais vítimas do diabetes, afirmam especialistas.

Não por coincidência, a obesidade também saltou 60% entre 2007 e 2016 – hoje 18,9% da população é considerada obesa, de acordo com dados do governo. Entre o grupo feminino, porém, esse índice é um pouco mais elevado: atinge 19,6% das mulheres. Quando o critério é sobrepeso, o resultado é pior: mais da metade (53,8%) dos brasileiros pesa mais do que deveria.

Para o médico João Eduardo Nunes Salles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), as doenças são irmãs. “O aumento do diabetes se dá basicamente pelo aumento da obesidade e do sedentarismo, é a mesma relação. As pessoas morrem de medo de ter diabetes, mas não tem medo da obesidade”, alerta.

Neste ano, uma campanha nacional de prevenção para o Dia Mundial do Diabetes – comemorado nesta terça – organizada pelas duas sociedades médicas tem como tema “Mulheres e Diabetes – Nosso direito a um futuro saudável”. Até esta quarta, haverá ações voltadas principalmente para o público feminino em todas as capitais brasileiras.

Por que há mais casos entre as mulheres

Em dez anos, o diagnóstico do diabetes saltou de 6,3% para 9,9% da população feminina, índice bem maior que o registrado entre os homens (7,8% da população masculina) e mais alto que a média nacional (8,9%).

Em geral, a doença afeta pessoas com menos anos de estudo e aquelas acima dos 55 anos. As mulheres com mais de 35 anos com obesidade abdominal, hipertensão arterial e triglicérides elevados são o público com maior risco de desenvolver a doença.

A obesidade abdominal ocorre entre aqueles com circunferência da cintura acima de 88 cm, no caso das mulheres, e de 102 cm, nos homens.

“Todas as mulheres nessa condição estão sob o risco eminente de ter diabetes, mas muitas não se cuidam”, diz Salles.

“As mulheres estão ganhando mais peso e cada vez mais precocemente – antes era por volta dos 40 anos de idade, mas agora ocorre muito mais cedo. Isso faz com que elas apresentem um risco maior de desenvolver o diabetes”, afirma.

Diabetes durante a gravidez

As mulheres também correm risco de desenvolver o diabetes gestacional, desencadeada por alterações no metabolismo materno e agravada por fatores de risco, como ganho de peso excessivo durante a gestação, idade materna mais avançada e quadro de hipertensão arterial.

O diabetes gestacional quase sempre desaparece após a mãe dar à luz – a condição, porém, aumenta as chances da mulher desenvolver doenças cardiovasculares e a probabilidade dela apresentar a doença após a menopausa, aponta Salles. O bebê também fica com risco de desenvolver diabetes no futuro.

“A mulher tem que saber antes de engravidar se tem ou não da doença. Se tiver histórico na família e engravidar após os 30 anos, ela tem que ficar muito atenta para fazer um diagnóstico precoce da doença e evitar o diabetes gestacional.”

Diabetes e doenças fatais

A condição aumenta em até três vezes o risco de o paciente desenvolver doenças cardiovasculares, como derrame e infarto.

Entre as mulheres, a falta de controle da doença pode estar relacionada a uma menor redução de casos de acidentes vasculares cerebrais (AVC) nos últimos anos, segundo uma pesquisa publicada em agosto na revista científica “Neurology”.

O estudo, feito a partir dos registros de saúde de 1,3 milhão de pessoas dos estados de Ohio e Kentucky, nos Estados Unidos, hospitalizadas entre 1990 e 2003, apontou que o número de AVCs por 100 mil habitantes reduziu 37% entre o público masculino – entre as mulheres, porém, os pesquisadores não encontraram redução estatisticamente relevante no período.

O estudo não identificou os fatores de risco que levaram à menor redução de derrames entre mulheres, mas uma das causas discutidas pelos cientistas é a prevalência do diabetes entre elas.

“A preocupação é que essa estabilidade dos casos de AVC nas mulheres esteja relacionada ao mau controle do diabetes e de outros fatores de risco no público feminino, como a hipertensão, o tabagismo, o colesterol e a obesidade”, afirma o médico Breno Caiafa, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV).

Obesidade e diabetes estão ligados, alertam médicos (Foto: TV Globo)Obesidade e diabetes estão ligados, alertam médicos (Foto: TV Globo)

Obesidade e diabetes estão ligados, alertam médicos (Foto: TV Globo)

Além de maior risco de AVC e de infarto, o diabetes é uma das principais causas de cegueira, falência do rim e amputações de membros inferiores.

A tendência de crescimento da doença no Brasil e no mundo preocupa autoridades de saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 o diabetes será a sétima principal causa de mortes no mundo – hoje, é a nona.

O que é o diabetes e como prevenir

O diabetes é uma doença crônica que ocorre ou quando o pâncreas não produz insulina suficiente – hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue – ou quando o corpo não consegue utilizar de maneira efetiva a insulina que o organismo produz. A doença se divide em dois tipos, além da diabetes gestacional:

Essa condição é caracterizada por uma produção deficiente de insulina pelo organismo e demanda aplicações diárias do hormônio.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge principalmente crianças e adolescentes. Dos que sofrem com o diabetes, entre 5% e 10% do total são diagnosticados com o tipo 1. As causas são desconhecidas, e não há métodos de prevenção.

Esse tipo ocorre quando o organismo não consegue utilizar a insulina produzida pelo corpo. A condição atinge a maioria das pessoas com diabetes ao redor do mundo e, ao contrário do tipo 1, está amplamente associada ao excesso de peso e ao sedentarismo.

A forma de prevenir o diabetes tipo 2 é por meio da reeducação alimentar, redução do consumo de açúcar e de gorduras saturadas, além da prática de exercícios físicos regulares. A OMS recomenda pelo menos 30 minutos de atividade física na maioria dos dias da semana.

“Hoje o diabetes do tipo 2 é uma doença que a gente consegue prevenir. Mas os pacientes acabam sendo vítimas da obesidade, uma outra doença extremamente prevalente no Brasil”, diz Salles.

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Luciana Bento
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