Luciana Bento

Pericardiocentese | SaúdeExperts

Logo após ter publicado o post com um caso clínico de tamponamento cardíaco (que você pode ler clicando aqui) recebi vários pedidos para escrever mais sobre a técnica da Pericardiocentese.

Apesar de ser um procedimento realizado pelo médico, o enfermeiro deve ter conhecimentos científicos para promover intervenções destinadas a prevenir ou tratar complicações.

Vamos relembrar

A parede do coração é constituída por três camadas:

Epicárdio – camada fina, externa. É uma delgada lâmina de tecido seroso, contínua, a partir da base do coração, com o revestimento interno do pericárdio, denominado camada visceral do pericárdio seroso.

Miocárdio– camada média muscular espessa. É um músculo estriado, cujo controle é involuntário, com fibras interligadas que se contraem e se relaxam de forma coordenada, impulsionando o sangue para o interior dos vasos sanguíneos

Endocárdio – camada interna, lisa, que entra em contato com o sangue. É formado por tecido epitelial pavimentoso simples sobre uma camada de tecido conjuntivo, que reveste o coração, as valvas e os grandes vasos.

O saco que o envolve o coração, chamado Pericárdio, é composto por duas membranas: uma fibrosa – externa (pericárdio fibroso)e outra serosa – interna (pericárdio seroso), as quais são separadas por um espaço virtual, chamado espaço pericárdico.

Conceito

Pericardiocentese é o procedimento realizado para a drenagem do fluído pericárdico (derrame)

Indicações

Está indicada quando o tamponamento cardíaco representa risco de vida imediato – provoca alterações hemodinâmicas (desconforto respiratório, hipotensão, estase jugular ou outros sinais de comprometimento circulatório) graves e crescentes.

Materiais necessários:

  • Uma agulha com bisel curto, calibre mínimo 16 e comprimento de 9 cm
  • Uma seringa de 30 ou 50 ml
  • Um conector estéril para a derivação precordial
  • Solução para preparo da pele
  • Uma seringa com agulha de pequeno calibre e lidocaína a 1% sem epinefrina; para anestesia local
  • Uma lâmina de bisturi
  • Luvas e campos estéreis
  • Paramentação completa, incluindo gorro e máscara
  • Materiais e equipamentos para reanimação

Técnica

  • Colocar o paciente em decúbito dorsal elevado a 30º a 45º – favorece o deslocamento da cavidade pericárdica para mais próximo da parede torácica
  • Ofertar oxigênio
  • Fazer antissepsia da porção média da face anterior do tórax com solução padronizada
  • Fazer anestesia local (se paciente estiver consciente), infiltrando a pele e os tecidos subcutâneos à esquerda do esterno no quinto espaço intercostal, com lidocaína 1% sem epinefrina
  • Realizar uma pequena incisão (de 2 a 3mm), com uma lâmina de bisturi, na pele abaixo e à esquerda do apêndice xifoide ou paraesternalmente (ao lado do esterno) no quinto espaço intercostal e introduzir uma agulha de maior calibre

Pericardiocentese - Procedimento

Imagem 1 – Procedimento

  • Unir a agulha à seringa e utilizar um conector para ligá-la ao cabo de derivações precordiais – possibilitando o acompanhamento eletrocardiográfico. O registro eletrocardiográfico durante o procedimento evita punções acidentais como laceração pleural e miocárdica. Deve-se ter à mão materiais e equipamentos para reanimação
  • Introduzir a agulha conectada à seringa, perpendicularmente, ao plano frontal, com aspiração contínua
  • À medida que a agulha avança, pode-se sentir a resistência do pericárdio tenso, e a penetração no espaço pericárdico pode produzir uma sensação de redução dessa resistência (“estalo”) e o líquido já começa a surgir. O contato da agulha com o epicárdio pode ser acompanhado pela elevação dos segmentos ST ou PR
  • Pode ser inserido um cateter flexível intrapericárdico, com um guia e fluoroscopia, reduzindo as chances de lesões epicárdicas ou coronarianas produzidas pela agulha. Além disso, permite, também, a drenagem contínua de fluido, bem como a coleta de material para diagnóstico (ex. invasão linfomatosa do pericárdio)

Esse procedimento deve ser feito por médico experiente e, se possível, na unidade de hemodinâmica para utilizar a fluoroscopia e ecocardiograma.

Principais complicações

  • Punção ou laceração de câmaras cardíacas ou artérias coronárias
  • Arritmias cardíacas, incluindo fibrilação ventricular
  • Parada cardiorrespiratória
  • Injeção acidental de ar nas câmaras cardíacas
  • Hemotórax e/ou pneumotórax
  • Hemorragias

Referências

Imagem 1 adaptada de Medical Info

Prof. Dra. Elizabeth Galvão

Doutora em Ciências (EEUSP), pós-graduada em Administração Hospitalar (UNAERP) e Saúde do Adulto Institucionalizado (EEUSP), especialista em Terapia Intensiva (SOBETI) e em Gerenciamento em Enfermagem (SOBRAGEN). É professora titular da Universidade Paulista no Curso de Enfermagem, e professora do Programa de Especialização Lato-sensu em Enfermagem em Terapia Intensiva e Enfermagem do Trabalho na Universidade Paulista.

Prof. Dra. Elizabeth Galvão on Linkedin

Source link

Facebook Comentários

Follow us

Don't be shy, get in touch. We love meeting interesting people and making new friends.

Most popular